sábado, 25 de abril de 2009

Bio gra fia

O tempo passa e as palavras cada vez mais me faltam. Cada vez mais me aquieto com o que ja está.
Certo, errado...
apenas o é.

Apenas receio que o fim não esteja. 
Que não seja. 
Que não haja. 

Seja Rei, seja Canastra; quem sabe Maestro. 
O dia acaba para todos, 
então o dia nasce de novo.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Biografia cantada, parte 3

Linda
de pranto sutíl,
carregas o oposto do anil e de pompa cansada sorriu.

Linda,
além dos poucos versos que me restam
também trago calma gentil
de um ombro calado
pouco acostumado a lábios de seda
sem hora e certeza
sem dia sem alvorecer.

Não vais t'imbora assim tão depressa
a bela e a fera hão de formar um par ao fim.

Não vês que tudo é de repente?
Ganhar ou perder já não bastam
à mim.

Biografia cantada, parte 2

Prevejo o que se sente
Prevejo o que tu sentes
quando os olhos teus
encontram um horizonte só meu.
Enfim.

Ao par:
o mundo!
Mas o mundo há de encontrar
o par;
Enfim.

Biografia cantada, parte 1

Da lua que sobe ao céu
Do brilho que permeia o mel do mar
Da Beira-Mar

Das estrelas que estão ao chão
que correm no seu vai-e-vem
que correm até seu portão,
seu céu

Anuncia o fim do dia
Anuncia o calor do lar

terça-feira, 24 de março de 2009

O analista de expressões

O cotidiano me fez analfabeto.
A pressa
A pressa pela perfeição.

A perfeição
A perfeição que me apressa.
Me suga, me sufoca em abraço em "Bem-vindo ao novo dia". Mas e chega outro,
e outro. E outro, de novo.

De um frio que faz da gota, 
adaga.
A última gota não dói.
Rasga, mas não dói. Mata.
Mas morrer,
de novo,
não dói.

Não sou gato de sete vidas. Sou gente,
que como toda gente,
tem mil eu's ao mês. A cada dia, ao menos três.

O cotidiano me fez analfabeto;
e analista de expressões.

Entre-linhas, parte qualquer.

É tudo estranho 
aos olhos de um normal
ao mundo meu, tão normal
aos olhos estranhos meus

Junto pouco
para mostrar o
tanto que se aprende em tão pouca vida.


segunda-feira, 16 de março de 2009

Biografando um Passado Canastra, parte 1

No final das contas a maior guerra que podemos presenciar é esta: como esconder a sombra quando se quer vestí-la.

Muitas frases inteligentes alienam e emburrecem;
tudo faz sentido, tudo é verdade.



É como se eu quisesse ver as casas pegando fogo.
É como se eu quisesse ver as coisas desabando, incessantemente; como a chuva.
Uma chuva tão forte que nenhum incêndio possa secar.
Uma fogueira tão intensa da qual nem tantas tempestades consigam apagar.
Mas esqueço que não sou Filme. Meu estômago dói; os pés estão realmente molhados, e gelados; e eu, de um modo inquestionável - e desgraçado - me sinto culpado.
Nas casas existem crianças que eu poderia ter sido; homens que eu poderia ser um dia, quem sabe. Apenas as mulheres são felizes; elas eu ainda posso ter. Ainda posso estragá-las, como me estraguei. E, por conseguinte, as crianças e homens.
Os atores são eles. Passageiros. Dirigir, sim, cabe a mim. Passageiros são eles, como todos.

Eu não acredito em Deus. Só acredito em quem acredita em mim; e sei que, ao menos Ele, não seria Tolo o bastante para isso.